terça-feira, 6 de março de 2012

Presidente de Lei Geral da Copa repudia linguajar ‘chute no traseiro’

O presidente da comissão especial que analisa a Lei Geral da Copa, Renan Filho (PMDB-AL), divulgou nota, nesta segunda-feira, para repudiar a declaração do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, a qual o deputado classificou de “inconsequente, deselegante e de linguajar chulo”. Para Renan Filho, a maneira como o secretário se referiu à preparação do Mundial no Brasil, dizendo que os organizadores precisavam de um “chute no traseiro”, se mostrou “insultuosa, descuidada e inapropriada”.
“Nenhuma instituição, governo ou pessoa está livre de críticas. Contudo, enquanto interlocutor da Fifa com o governo brasileiro, é inadmissível que o secretário faça uso de expressões inconsequentes, deselegantes e de linguajar chulo, sem considerar as responsabilidades que essa relação e seu cargos exigem”, diz o presidente da comissão especial.
A declaração de Valcke, dada na última sexta-feira, abriu uma crise com o governo federal. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B), reagiu no dia seguinte pedindo o afastamento do secretário e nesta segunda-feira, em uma ação avalizada pelo Palácio do Planalto, deve enviar uma carta ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, oficializando o rompimento das relações com o secretário-geral da instituição e reprovando-o pelo “palavreado inaceitável” a respeito do Brasil.
Na nota divulgada nesta segunda-feira, Renan Filho reafirmou que o projeto da Lei Geral da Copa deve ser votado amanhã. Além dos pontos polêmicos, os deputados terão que votar novamente o texto principal para evitar contestações jurídicas futuras. O problema aconteceu na semana passada, quando o texto principal foi votado ao mesmo tempo de votações no plenário, o que é proibido pelas normas internas da Câmara.
Entenda o que aconteceu
Para Valcke, o Brasil parece mais preocupado em ganhar a Copa do que em organizar um bom torneio
O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, fez na sexta-feira passada um duro ataque aos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Ele disse que “não há muita coisa se mexendo” e que os organizadores precisavam levar “um chute no traseiro”. Valcke afirmou que o tempo está correndo sem que haja um “plano B” disponível.
A Fifa disse estar particularmente preocupada com transportes e alojamento, e também com a demorada tramitação pela burocracia brasileira de leis relacionadas à venda de álcool nos estádios.
O secretário-geral, que está na Inglaterra para a reunião anual da International Board, entidade que trata das regras do futebol, declarou para os jornalistas: “Não entendo por que as coisas não estão avançando. Os estádios não estão mais no prazo, e por que muitas coisas estão atrasadas? A preocupação é que nada é feito ou preparado para receber muita gente. Lamento dizer que as coisas não estão funcionando no Brasil”.
Ele afirmou que a Fifa deveria ter recebido documentos assinados em 2007, mas que ainda isso não aconteceu. “Vocês precisam se pressionar, levar um chute no traseiro e fazer a Copa do Mundo”.
Confirmou que a Copa será mantida no Brasil, mas alertou que os torcedores podem sofrer. “Não há hotéis suficientes”, destacou. “Você tem mais do que suficientes em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas se você pensar em Manaus, precisa de mais. Digamos que você em Salvador tenha Inglaterra x Holanda, e você tenha 12% do estádio com torcedores ingleses, e 12 % holandeses, são 24% de 60 mil torcedores. Onde todos eles vão ficar? A cidade é bacana, mas a forma de chegar ao estádio e toda a organização de transporte precisa ser melhorada”.
A Fifa inicialmente queria concentrar cada equipe em uma determinada região, para minimizar as viagens, mas os organizadores preferem que os jogos sejam espalhados pelo país. Valcke apontou que isso abre exigências extras. ”Tomamos a decisão de movimentar os times, e isso implicou que fôssemos criticados. Se você acompanhar um time, terá de voar 8.000 quilômetros. Fizemos isso a pedido do Brasil”.
Para Valcke, o Brasil parece mais preocupado em ganhar a Copa do que em organizar um bom torneio. ”Nossa preocupação é que nada é feito ou preparado para receber tanta gente, porque o mundo quer ir ao Brasil. Essa é a grande diferença entre a África do Sul em 2010 e o Brasil. As pessoas não se preocupam com a segurança, não se preocupam com o clima, é incrível. Na África do Sul era inverno. No Brasil o clima será perfeito. Mas posso dizer a vocês, por outro lado, que a organização não é exatamente assim”.
Na sua última viagem ao Brasil, em janeiro, Valcke já havia pedido pressa na aprovação das leis para a Copa, porém havia elogiado os estádios. A Fifa manifesta particular preocupação com as restrições para a venda de álcool e com a meia-entrada para estudantes e idosos.
Fonte: Folha

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